AjudAí MVP
Hospitais descartam medicamentos por vencimento enquanto outros, na mesma cidade, sofrem com falta de estoque. Desenhei o MVP da AjudAí em 6 meses — plataforma que conecta farmácias hospitalares para troca e doação de medicamentos.
Contexto
A AjudAí nasceu de uma pesquisa da Universidade de Sorocaba. Acompanhando a gestão de medicamentos em hospitais, os pesquisadores viram o mesmo padrão se repetir: o consumo oscila e o estoque nunca acompanha — ora sobra e vence, ora falta e o tratamento do paciente para. Dessa observação surge a startup, para fazer hospitais de uma mesma região cooperarem e gerenciarem estoque em conjunto por troca, empréstimo e doação de medicamentos.
Problema
A AjudAí nasce de um problema de logística, não de interface. Hospitais descartam medicamento vencido enquanto outros, na mesma região, ficam sem o mesmo item. São dois estoques que nunca se ajustam, e a perda é cara: nos hospitais públicos, o vencimento consome cerca de 2% do estoque todo ano.
Sendo um MVP, o primeiro trabalho da plataforma não era de usabilidade e sim de mercado: provar que dava para atacar um desperdício desse tamanho, com valor real para os hospitais. Antes de qualquer questão de interface, havia um problema de produto a resolver.
Processo
O início
Arquitetura
Interface
Iteração
Solução
Dois perfis com necessidades diferentes, prazo de 6 meses e time reduzido pediam decisões de onde concentrar o esforço — não um produto único tentando servir todo mundo.
Dois perfis, dois produtos
A AjudAí tinha dois perfis opostos: o gestor, que cadastra excedente e busca o que falta, e o administrador, que mantém a plataforma de pé. Objetivos distintos pediam produtos distintos, com interface e vocabulário próprios. A mecânica de troca entre desconhecidos veio de OLX e Enjoei — com medicamento no lugar de produto usado —, e definiu como comunicar oferta e criar confiança sem intermediário físico.
A partir desses perfis, estruturei a arquitetura de informação. O sitemap divide a home em duas listas — o que falta e o que sobra — e reúne o gerenciamento em "meus medicamentos". O fluxo de cadastro parte da escolha entre oferecer ou pedir, segue ao formulário e barra o registro incompleto.
Fluxo de cadastro
Da lista de medicamentos ao cadastro de um item disponível ou necessário, em quatro passos.
Ant Design como decisão de produto
Prazo de 6 meses, time de desenvolvimento reduzido. Escolher um design system consolidado não foi economizar esforço — foi decidir onde concentrá-lo.
A base pronta do Ant Design cobriu o que era commodity e liberou tempo para eu desenhar o que era específico — fluxo e arquitetura, onde o risco de erro era maior. Também fechou a lacuna entre design e produto: componentes documentados e testados que o time implementava direto, sem retrabalho.
Responsividade é acesso, não estética
Gestores hospitalares nem sempre trabalham em desktop. Garantir que a plataforma funcionasse em diferentes dispositivos não foi um cuidado estético — foi uma decisão de acesso para o perfil real de usuário, que abre o sistema de onde estiver, no aparelho que tiver à mão.
Teste com usuário
Os testes de usabilidade foram remotos: enviei o link do protótipo em Figma e conduzi cada sessão por Google Meet. O usuário recebia a tarefa a executar e navegava pelo protótipo enquanto eu anotava o que dava para melhorar. Dessas sessões vieram os ajustes finais que fecharam o MVP.
Resultados
MVP entregue em 6 meses, dentro do escopo e pronto para os primeiros usuários e investidores. Saí antes do ciclo de medição de uso, então no lugar de métricas que não acompanhei registro o que já era possível afirmar e como cada objetivo seria medido.
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Se reduziu o desperdício
Queda no descarte por vencimento e volume de medicamento reaproveitado em troca ou doação, comparados com o histórico de estoque antes e depois.
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Se a comunicação ampliou
Número de instituições ativas e de trocas concretizadas entre elas, junto da taxa de resposta às solicitações.
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Se o consumo ficou mais simples
Antecedência do alerta de ruptura ou excesso e o esforço para registrar e localizar um item, medido em tempo e passos na tarefa.
Credibilidade
Farmacêuticos responsáveis pela gestão de estoque descreveram a plataforma como intuitiva, simples e prática — exatamente o que se espera de um produto para profissionais de saúde sem perfil técnico. A utilidade entre instituições de uma mesma região confirmou a cooperação local como hipótese central do produto.
A credibilidade veio também do reconhecimento institucional: FAPESP, Sebrae for Startups e UFRJ figuram como parceiros, ao lado da UNISO, que originou o projeto. O apoio da FAPESP indica avaliação de mérito científico; a parceria com o Sebrae, que o produto foi tratado como negócio — não só como pesquisa.




Aprendizados
Escopo protege a entrega
Surgiram várias propostas para expandir a plataforma — chat nativo, emissão de contratos, sistema de alertas. Todas faziam sentido para o produto maduro. Priorizei o núcleo funcional dentro do prazo e documentei o resto como roadmap. Um MVP útil vale mais do que um produto incompleto e ambicioso.
Design se explica, não só se entrega
A equipe incluía pesquisadores e desenvolvedores sem experiência prévia com processo de produto digital. Tornar cada etapa de design visível e compreensível — não como burocracia, mas como alinhamento — foi o que evitou retrabalho no fim do ciclo.
Escolher o design system é decisão de produto
Definir o Ant Design não foi só uma escolha visual — foi uma decisão de entrega. Desenhar com componentes que o time podia implementar direto eliminou a lacuna entre o que eu entregava e o que chegava ao produto final, sem dívida visual nem retrabalho entre design e dev.